terça-feira, 7 de julho de 2015

INVESTIGAÇÃO DA RÁDIO GAÚCHA SOBRE OS CORONÉIS DO FUTEBOL


Matéria de relevância impar, feita pela Rádio Gaúcha, sobre o coronelismo no futebol. Detalhe para o sistema de operação, que é muito semelhante ao que a FIFA emprega com as federações de países menores.

Link de referência: OS CORONÉIS DO FUTEBOL

domingo, 16 de dezembro de 2012

CORINTHIANS: DO INFERNO AO CÉU EM QUATRO ANOS

Guerreiro: duas vitórias de 1 a 0 com gols de cabeça
O dia 16 de dezembro de 2012 é um dia histórico para o Corinthians. Fechando um ano excepcional, o clube paulista venceu com grande mérito o Chelsea (Inglaterra) e conquistou seu segundo título mundial (gabaritado após ser campeão da Libertadores da América), superando toda e qualquer mácula relacionada ao Mundial de Clubes de 2000, cuja participação como convidado culminou na sua vitória. 

DO INFERNO AO CÉU

Com o rebaixamento para a série B do Brasileirão em 2007, o clube passou por um processo de reavaliação e re-significação, sobretudo após a desastrosa gestão da M.S.I, empresa estrangeira que trouxe inúmeras promessas, negociou jogadores e deixo um título brasileiro absolutamente polêmico, em 2005, e um rombo monumental no patrimônio do clube. Curiosamente, um dos principais legalistas pró-M.S.I, o ex-presidente do Corinthians e ex-chefe das Delegações da Seleção Brasileira, Andres Sanchez, esteve em ambos os processos, tanto na queda para o inferno, quanto para elevação aos céus (assunto que merece um texto específico, posteriormente). 
A reestruturação do marketing esportivo que apostou na grandeza da marca, associada ao processo de modernização da gestão do clube foram pontos decisivos nesta trajetória, ainda que tenham ocorrido alguns deslizes no meio do caminho, quase colocando tudo a perder. Após a derrota na final da Copa do Brasil do mesmo ano, para o Sport, e a conquista do acesso para a série A em 2008, houveram mudanças significativas no clube. Se por um lado a contratação de Ronaldo Nazário como jogador repercutiu na promoção do clube e na conquista de dos títulos: o Paulista e Copa do Brasil em 2009; por outro, a manutenção de um esquema tático nas costas deste jogador, que estava em seu limite físico e técnico, levaram a sua eliminação precoce na Libertadores de 2010, tendo o Flamengo como carrasco nas oitavas e,  na pré-Libertadores em 2011, pelos pés do desconhecido e inexpressivo Tolima (Colômbia). O golpe foi assimilado e a decisão de manter o treinador Tite (que substituiu Adilson Batista e classificou o time em 3o lugar em 2010 no Brasileiro), juntamente com uma base de jogadores, provou-se acertada no decorrer do processo. As contratações de jogadores experientes como, por exemplo, Danilo e Alex (campeões mundiais respectivamente por São Paulo e Internacional), possibilitou a adequação e equilíbrio com os mais jovens do elenco.
Com o marketing operando, a administração das contas e investimentos se organizando, a redução da influência da diretoria no que se fazia dentro de campo, o apoio da CBF na flexibilização de calendário e o Governo Federal com o anúncio da construção do estádio que será a sede da Copa do Mundo de 2014 (o que trouxe grande autoestima para torcedores e time e mais popularidade ao presidente Lula)  o caminho para as glórias estava construído. Com uma campanha equilibrada, o Corinthians venceu em 2011, o seu 5o título brasileiro e o direito a novamente, disputar a Libertadores da América, torneio que conquistou de forma invicta e absoluta em 2012, derrubando o Santos de Neymar, que era o mais recente campeão do torneio e o famigerado Boca Juniors, empatando em 1 a 1 na Argentina e vencendo por 2 a 0 no Brasil. E o título Mundial de Clubes se constituiu em duas vitórias por 1 a 0, ambos com gols de cabeça do atacante peruano Paolo Guerreiro, contra o Al-Ahli do Egito (semifinal) e contra o Chelsea, da Inglaterra (na final). 

O TORCEDOR

Do ponto de vista do torcedor, é um ano absolutamente emblemático, ao considerar que a conquista da Libertadores da América (cuja dificuldade e valor sempre deixaram claro ser prioridade) e  Mundial de Clubes se concretizou na bola bem jogada e, seu arqui rival, o Palmeiras, caiu (pela 2a vez) para a série B do Campeonato Brasileiro. Nada poderia ser melhor.

OS CLUBES E A CBF

Do ponto de vista do futebol, fica clara a necessidade mais do que primordial da profissionalização das gestões dos clubes e principalmente, a importância do apoio da CBF para que qualquer um dos clubes brasileiros que estejam em torneios internacionais, tenham condições de disputá-las de forma competitiva.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

FC BARCELONA - UMA RESPOSTA HISTÓRICA DA BURGUESIA CATALÃ

O extraordinário Lionel Messi: um argentino é o símbolo da "fúria" catalã

Mais do que a excelência do seu futebol, o FC Barcelona é uma resposta histórica da Catalunha  para Espanha

A Catalunha, desde o século XV, firmava-se como um dos principais centros de desenvolvimento da Espanha, na História Moderna. Ligada ao reino de Aragão, os catalães abriram seu caminho externo, usando-se de privilegiada posição geográfica ao centro do Mar Mediterrâneo, indo até Atenas, a Sicília e a Sardenha, o que lhe possibilitou o desenvolvimento de uma poderosa elite de comerciantes e capitalistas. Tal postulado lhe permitiu a relação global com todas as influências mercantis do seu tempo, o que lhe dava no século XIX, o status de quarta potência de fabricação têxtil do planeta, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Inglaterra e França (o que em nada faz estranhar a fundação do FC Barcelona, em 1899 pelo empresário protestante suíço Joan Gamper, com o apoio de um punhado de “renegados” ingleses). Evidentemente que o desenvolvimento industrial trás consigo o surgimento das classes sociais vinculadas ao processo, como os operários e sua organização em ligas, com os mais variados fundamentos, desde o anarquismo, passando pelo comunismo e separatismo. No entanto, o domínio político do país centrado em Madrid, cujo poder estava nas mãos dos influentes e determinantes proprietários de terras castelhanos, logo causaria um choque com os comerciantes catalães. A busca de uma cultura e língua “espanholas”, levava os castelhanos a cobrar do governo central a imposição destas condições, tendo como fundo o protecionismo da agricultura em relação a indústria (conflitos fundamentais das elites no mundo contemporaneo). Atacando então o posicionamento “chucro” da aristocracia madrilenha, a burguesia catalã investiu no mecenato, que propiciou a exposição de artistas genialmente grandes como Galdí e Miró.

Tinha um(s) general (is), no meio do caminho

Apoiado pelo rei, o general Miguel Primo de Rivera desfere um golpe e 1923. De imediato, proíbe a língua catalã e o uso público do idioma local. Logo, o escudo do clube que levava as cores nacionais e a cruz de São Jordi, padroeiro da Catalunha, passam a ser uma referência “ingrata” a “nova ordem”: após a torcida vaiar o hino nacional em 1925, o Camp Nou, estádio do clube catalão, foi fechado por seis meses e seus dirigentes penalizados com multas. Gamper, fundador do Barcelona, foi “convidado” a se retirar da Espanha (cometendo suicídio em 1930, após o Crack da Bolsa de New York). Rivera renunciou e os poucos anos de uma conturbada república, deram lugar ao fascismo absoluto de Francisco Franco, cujo ódio pelos catalães desconhecia fronteiras. Segundo o escritor espanhol Manoel Vasquez Montalban, citado no livro Como o futebol explica o mundo, de Franklin Foer1

As tropas de ocupação de Franco entraram na cidade. A quarta organização a ser expurgada, depois de comunistas, anarquistas e separatistas era o Barcelona Footbal Club”.

Dentre outros resultados das empreitadas de Franco, o presidente do Barcelona, Josep Sunyol, de orientação política esquerdista, foi assassinado a tiros pela guarda franquista e o prédio de troféus do clube foi bombardeado. Posteriormente, na busca da destruição da identidade clubística, obrigou a mudança do nome para o castelhano, ficando Club de Footbal Barcelona e a bandeira catalã foi excluída do escudo do time. A “gota d'água” deste período se deu em 1943, quando alguns jogadores do Barcelona voltaram a defender o clube após receber a “anistia”, nas vésperas de um jogo contra o Real Madrid,ssão visitados no vestiário,  por Franco em pessoa, lembrando-os que a “generosidade do regime” é que os possibilitava a “falta de patriotismo” de outros tempos. O jogo terminou 11 x 1 para o Real! Até 1953, o Barcelona sofreu absoluta influência da ditadura franquista, tendo inclusive a presidência do clube, indicada pelo goveno.

A Máquina Barcelona – Uma resposta burguesa para a "velha" Espanha 

Mas é necessário esclarecer que, independente dos problemas políticos em sua história, o Barça jamais deixou de ser um time vencedor e que investia na formação de seu esquadrão. A forte identificação do nacionalismo catalão com o clube, como forma de resistência, também não configurou necessariamente a incorporação de uma luta combativa, a exemplo dos bascos. Não está sendo discutido aqui se Franco conseguiu ou não controlar os catalães, resumindo seu grito manifesto ao bradar de torcedores dentro do estádio, mas o fato é que os incentivos econômicos (subsídios e tarifas) dados pelo governo durante as décadas de 50 e 60, trouxeram novo fôlego às indústrias, gerou milhares de empregos e apaziguou os ânimos, reduzindo também o sentimento de repressão, afastando a memória dos massacres. Na tese de Franklin Foer, o Barça ajudou a “manter os catalães num estado de equilíbrio confortável”, após tensões iniciais. Acho isso pouco e superficial, mas entendo que as elites burguesas da Catalunha, deram sua resposta para a Espanha: consolidaram o clube como uma marca multinacional, talvez a maior no mundo esportivo, dos últimos 40 anos. Tempo este o mesmo que usaram para o investimento no clube para a formação de uma base de jogadores e atletas, pinçados a dedo nas mais diversas regiões do planeta, mas com um olhar muito especial para a própria Espanha. Também o investimento no desenvolvimento técnico de todos os departamentos envolvidos no esporte, desde a fisiologia ao desempenho efetivo do jogador dentro de campo (aliás, são estes dois dos principais pontos de partida do Imperialismo Europeu, no século XIX: exploração de matérias-primas e investimento em tecnologia/técnicas). Não tiveram medo de copiar e se apropriar das melhores escolas de futebol do planeta, como a Holanda dos anos 70, ou o Brasil até 1982 (última grande seleção brasileira). Conseguiram então a base da seleção espanhola, que venceu a primeira Copa do Mundo para o país em 2010. Esperava-se que esta conquista, “abasteceria” de ânimo o país, o que não aconteceu. A crise permanece como uma das piores de sua história. Isso necessariamente não acarreta mudanças e, ao contrário, ressuscita a extrema direita que, nas eleições de 2011, chegaram novamente ao poder, com sua tradicional proposta de “zona de conforto”. O fato é que o Barcelona é responsável por uma revolução no futebol nos níveis da Revolução Industrial Inglesa, do século XVII e, quem não acompanhar seus passos, assistirá de camarote sua hegemonia. Quantos as elites da Catalunha, estão vingadas...  mas não estão livres da Espanha.

1 - FOER, Franklin. Como o futebol explica o mundo: um olhar inesperado sobre a globalização – Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. pp- 176. Observação: Este livro foi a base da pesquisa sobre o tema.

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